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Tuesday 18 June 2024
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Síntese do 4º Encontro Bíblico

Paróquia Maria Serva do Senhor – 22 anos

Setembro: Mês da Bíblia

Síntese:

4°. Encontro: A Imagem Guerreira de Deus e a Guerra Santa (Js 6.17-21)

Temos uma pergunta o Deus descrito no livro de Josué é guerreiro e violento?

Uma pergunta inquietante porque o Livro de Josué é perpassado por narrativas nas quais transparece uma face violenta de Deus.

Em alguns textos, Deus manda destruir as cidades e eliminar pessoas. Em outros, age de forma violenta (Js 10,11;13,6;23,5.9).

Apesar das cenas descritas de violências, Deus não é violento. É preciso entender o contexto das narrativas. Temos a Lei da consagração à destruição, lei do anátema ou Lei de Haren (hebraico) descrita em Dt 7,1 e 20,15-18.

São duas leis com descrições diferentes. Essa lei prescreve a consagração a Deus de tudo ou de uma parte do que é capturado num campo de guerra. Israel não podia usufruir do butim, isto é, dos bens materiais ou dos prisioneiros. Estes deveriam ser mortos e não vendidos como escravos

A concepção estava fundamentada na convicção de que a vitória não dependia da força do povo ou estratégia militar, mas de Deus. Essas leis foram influenciadas pelos códigos jurídicos do oriente, essa prática de vincular as vitórias militares aos deuses nacionais, o que servia para aumentar o prestígio e a gloria desses deuses e ao rei dessas localidades, que era visto como instrumento de seus deuses.

Há um exagero na descrição dessas vitórias, Israel não era uma grande potência. Este exagero servia para frear a ambição do povo e de seus chefes e amedrontar os povos dispostos a fazer guerras.

As mortes realmente aconteceram?

Os estudos afirmam que é improvável a possibilidade da execução dessa lei em Israel. Não houve uma tomada de posse da terra numa campanha militar, numa única vez, as cidades estavam em ruínas ou foram abandonadas, tendo sido um processo lento e gradual.

Essa é uma das hipóteses. O Importante observar o contexto histórico, literário, teológico e as ciências que estudam essas áreas.

Essas narrativas no decorrer da história foram utilizadas para legitimar guerra, ódio, preconceito, considerados como sagrados.

Não devemos utilizar essas narrativas para legitimar a guerra e a violência para outras pessoas.

Papa Francisco salienta na Fratelli Tutti que “a violência não encontra fundamento algum nas convicções religiosas fundamentais, mas nas suas deformações, que o culto sincero e humilde a Deus não leva à discriminação, ao ódio e à violência, mas ao respeito pela dignidade e pela liberdade dos outros e a um solicito compromisso em prol do bem-estar de todos”. Papa Francisco ainda exorta que Deus não precisa ser defendido por ninguém e não quer que o seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas (FT 285)

* Texto em colaboração Maria Ilda de Mendonça *

Subsídio Serviço Animação Bíblica – SAB – Mês da Bíblia 2022.

Foto: Luciana/ membro Pascom

Publicação: Pascom/ Pastoral da Comunicação




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